Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

SINAIS DO TEMPO - PSDB

Quando eu perguntei em meu artigo FORO DE SÃO PAULO - NOVO ALERTA se:

“Você não acha ao menos estranho sair repetindo por aí que o PSDB é um partido de direita quando descobre que SERRA, que parece um pacato e insistente partidário da direita foi membro e líder estudantil na Ação Popular, grupo de jovens com origem nos seguintes movimentos: Juventude Estudantil Católica (JEC), a Juventude Operária Católica (JOC) e a Juventude Universitária Católica (JUC), que, após o golpe de 64 e seu exílio, se tornou terrorista (tendo mudado de nome em 1971 para Ação Popular Marxista-leninista, cujo programa era tão radical que não era aceito nem mesmo pelo PC do B). Sim, Serra, o José, que como FHC, foi acolhido pela mesma Universidade de Princeton citada acima na década de 70.”

além de outras duas perguntas que lancei tratando de eventos que apontam para o fato do PSDB ser um partido de esquerda, ou mesmo quando falo desse tema, muitos me devolvem um olhar com um enorme sinal de interrogação e, ao final, acham difícil de acreditar.

Pois bem, Roberto Freire, presidente do PPS, um dos líderes de esquerda mais sérios ainda vivos nesse país, entende que Serra é mais esquerdista do que Lula e declara seu apoio à candidatura de Serra para a presidência 2010:

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

MARIO FERREIRA DOS SANTOS


Entrevistador: Considerando que Deus é perfeito e perfeitamente bom, perfeitamente justo e, com base nisso, que o mal que existe no mundo não poderia ter sido criado por Ele, tampouco "distribuído" de forma tão irregular entre as pessoas, de onde surgiu o mal? De um outro ser primeiro como Deus? De Deus mesmo?

Mario Ferreira dos Santos: "(...); dentro desta concepção ["certas oposições não deixam de ser obedientes à lei do próprio um" porque são oposições que estão dentro do próprio um e são provadas a todo segundo pelas mudanças que vemos no próprio um, decorrentes do relacionamento dessas oposições - esse um é qualquer coisa que se tornou existente no universo], compreende-se a corrupção sem necessidade de construir um princípio corruptivo que fosse o ponto de partida, o fator e a causa eficiente primeira de toda corrupção, o qual seria, então, um 'outro' poder que se oporia ao poder do Ser. Vê-se, assim, que a corrupção é sempre acidental, que é algo que acontece à substância da heterogeneidade do seu correlacionamento, sem necessidade da presença de um poder principal corruptivo. A concepção escolástica harmoniza perfeitamente o um com o múltiplo, sem necessidade de intervenção de um fato primeiro de heterogeneidade ou de destruição. Mesmo na concepção hindu, Shiva, como aspecto destrutivo de Brahma, também não é uma entidade fora de Brahma; isto é, as ações de Shiva são conseqüências acidentais da própria atuação da lei da unidade. Essa concepção resolve tal problema de modo definitivo e apodíctico."

DO SANTOS, Mario F, A Sabedoria das Leis Eternas, 1a edição, É Realizações, 2001, p. 91.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

HOMEM E SOCIEDADE


“Aprofundando agora a reflexão delineada, e fazendo ainda referência ao que foi dito nas Encíclicas Laborem exercens e Sollicitudo rei socialis, é preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de carácter antropológico. De facto, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e DESAPARECE O CONCEITO DE PESSOA COMO SUJEITO AUTÔNOMO DE DECISÃO MORAL, QUE CONSTRÓI, ATRAVÉS DESSA DECISÃO, O ORDENAMENTO SOCIAL. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. O homem, de facto, privado de algo que possa «dizer seu» e da possibilidade de ganhar com que viver por sua iniciativa, acaba por depender da máquina social e daqueles que a controlam, o que lhe torna muito mais difícil reconhecer a sua dignidade de pessoa e impede o caminho para a constituição de uma autêntica comunidade humana.” (gn) Centesimus Annus – 13 (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html)

O fato do socialismo considerar “cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social” e afirmar que o “homem é reduzido a uma série de relações sociais” não é novidade para quem vive no Brasil e ouve, quase que diariamente, que as faltas de um ser humano em relação a outro – um crime cometido por um em relação a outro, por exemplo – podem ser justificáveis conforme a posição ocupada por esse indivíduo em relação à “estrutura social [supostamente] injusta”. Se um ato é contrário à “estrutura social [supostamente] injusta”, esse ato é justificável, desejável, ainda que injusto e ilegal. Foi isso que ouvimos, por exemplo, na USP, na semana passada, do crítico literário Antônio Cândido, que ao lado de Marilena Chauí, disse aos alunos: “Atuem, exagerem, sejam justos e injustos” (http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,antonio-candido-e-chaui-dao-equotaulaequot-a-grevistas,388292,0.shtm) Exatamente como lançado pela Igreja acima, para pessoas que pensam assim "desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral", podendo ser moral algo imoral, justo, algo injusto, lícito (sujeito, portanto, a anistia) algo ilícito.

Para pessoas que pensam assim, crimes cometidos por pessoas tidas por vítimas de uma “estrutura social [supostamente] injusta” são crimes justificáveis (algo muito próximo daquele ditado de que “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”) pois um ato só pode ser considerado certo ou errado após contextualizado com a estrutura social no qual se insere. É assim que a corrupção cometida por políticos que se intitularam paladinos da salvação do povo injustiçado é uma corrupção justificável [(a corrupção pela esquerda não é novidade(1)]. É assim que o seqüestro de pessoas (antes realizado pela esquerda, agora pelos criminosos comuns) quando realizados para enfrentar uma “estrutura social [supostamente] injusta” é um ato justificável (vejam no documentário “Manda Bala” um bandido encapuzado, após explicar as técnicas para cortar as orelhas das pessoas seqüestradas, dizer que seqüestrar pessoas é um trabalho decorrente de sua situação social, que não lhe dá outra opção !?! - http://www.youtube.com/watch?v=93f7Ej4enW4&feature=related). É assim que crimes cometidos por movimentos que supostamente enfrentam essa “estrutura social [supostamente] injusta”, como o MST, eg, são crimes justificáveis. É assim que a institucionalização de um furto (via desvio de dinheiro público para ONGs inexistentes, eg) com a finalidade de atender às vítimas da “estrutura social [supostamente] injusta” é um ato justificável. É assim que uma ditadura (quando do proletariado) pode ser (e foi desde o início com Marx) considerada justificável. É assim que intelectuais de intelectualidade duvidosa conseguem, por exemplo, criticar a ditadura brasileira ao mesmo tempo em que apoiam a cubana, criticar o nazismo ao mesmo tempo em que se dizem socialistas/comunistas.

A inversão indevida de valores para a qual a Encíclica Centesimus Annus chama a nossa atenção, qual seja: a qualificação do homem a partir da forma como ele se insere na sociedade, é a fonte de todas essas discrepâncias citadas no parágrafo anterior e de infinitas outras; é a explicação pela qual os governos mais corruptos foram e continuam sendo os revolucionários; é a explicação pela qual os governos que mais mataram e matam (de longe) foram e continuam sendo os revolucionários; é a explicação pela qual as sociedades mais sexualmente permissivas são e continuam sendo as revolucionárias. E é essa inversão que deve ser refutada com a verdade de que não é a mudança da sociedade que, pela mudança de feixes sociais, mudará o homem mas sim a mudança do homem é que mudará a sociedade. Embora a argumentação socialista guarde uma lógica interna (se o homem é qualificado pela posição que ocupa na estrutura social, alterada a estrutura social, alteramos o homem) essa argumentação não é real (não passa se um sofisma, de retórica) pois o homem não é qualificado pela posição que ocupa na estrutura social, já que é verdade fática que não é o homem que decorre da sociedade e sim a sociedade do homem. Ainda que se possa argumentar que existe uma relação dialética entre um e outro, na medida em que o homem influencia a sociedade e vice-versa, é verdade fática que não existe sociedade sem homem, embora possa existir homem sem sociedade.

E é essa inconsistência insolúvel do socialismo, eg, ponto de partida para todos os demais pensamentos dentro dessa doutrina socialista, que a Igreja, no texto acima, enfrenta, dizendo ser o homem o pressuposto da sociedade e não o contrário, motivo pelo qual todo o trabalho começa no homem e não na sociedade. Foi assim desde o início, quando o seu fundador, Jesus Cristo, assim se dirigiu a todos: “sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt5:48). E nem poderia ser diferente: como alguém poderia esperar de homens falhos uma sociedade ideal? O homem bom é o pressuposto da sociedade boa. “O homem tende para o bem, mas é igualmente capaz do mal; pode transcender o seu interesse imediato, e contudo permanecer ligado a ele. A ordem social será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este facto e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação frutuosa. Com efeito, onde o interesse individual é violentemente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade.” Centesimus Annus – 25 (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html)

Por isso muito mais frutífera a discussão proposta pela Igreja sobre como melhorar o homem do que a discussão proposta pelas ideologias modernas sobre como melhorar a sociedade. É claro que ambos (homem e sociedade) podem ser considerados em conjunto, como bem exposto pela Igreja abaixo, mas nunca sem ter a consciência de que o homem precede a sociedade: “Mas com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles "não possuem aqui na terra uma morada permanente" (cf. Hb 13,14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes.” Credo do Povo de Deus – 27 (http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo_po.html)

Não é sem ter tudo isso em vista que a Igreja: (1) recomenda: “para o cristão é válido que, se ele quiser viver a sua fé numa ação política, concebida como um serviço, não pode, sem se contradizer a si mesmo, aderir a sistemas ideológicos ou políticos que se oponham radicalmente, ou então nos pontos essenciais, à sua mesma fé e à sua concepção do homem: nem à ideologia marxista, ou ao seu materialismo ateu, ou à sua dialética da violência, ou, ainda, àquela maneira como ele absorve a liberdade individual na coletividade, negando, simultaneamente, toda e qualquer transcendência ao homem e à sua história, pessoal e coletiva, nem à ideologia liberal, que crê exaltar a liberdade individual, subtraindo-a a toda a limitação, estimulando-a com a busca exclusiva do interesse e do poderio e considerando, por outro lado, as solidariedades sociais como conseqüências, mais ou menos automáticas, das iniciativas individuais e não já como um fim e um critério mais alto do valor e da organização social.” Octogesima Adveniens – 26 e (2) adverte: “Existiria o perigo também de aderir a uma ideologia que não tem na sua base uma doutrina verdadeira e orgânica e de refugiar-se nela como se se tratasse de uma explicação cabal e suficiente de tudo, e de arranjar, de tal modo, para si mesmo, um novo ídolo, de que se aceita, por vezes sem disso dar-se conta, o caráter totalitário e constrangedor. E pensa-se encontrar nisso uma justificação para o próprio agir, MESMO QUE ESTE SEJA VIOLENTO, uma adequação para um desejo generoso de serviço; este permanece, mas deixa-se absorver numa ideologia que, muito embora proponha certas vias de libertação para o homem, acaba finalmente por escravizá-lo.” Octogesima Adveniens – 26 (http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html)
.
(1) "(...) no governo João Goulart, quando os comunistas proclamavam estar no poder, o amigo do presidente não era o trapalhão P.C. Farias, mas um gênio do tráfico de influência, Tião Maia, que após a queda de seu protetor comprou a vigésima parte do território da Austrália, onde é hoje [fevereiro de 1995] a quarta maior fortuna do país. Quando lhe perguntam "Como?", ele responde: "O Banco do Brasil foi uma mãe para mim". CARVALHO, Olavo de in O imbecil coletivo I - atualidades inculturais brasieiras, 6a edição, São Paulo, É Realizações Editora, 2006, p. 235

VERDADE SOBRE A VERDADE !

"Provai e vede que o Senhor é bom! Bem-aventurado o homem que Nele confia."
Sl 34:8

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." disse o Senhor
Jo 14:6

"Provai e vede que a Verdade é boa! Bem-aventurado o homem que nela confia."
reflexões na missa de sétimo dia da minha avó
e não é que é verdade !

Domingo, 14 de Junho de 2009

TED TURNER


O que TED TURNER, fundador do canal CNN e um dos maiores sócios do grupo Time Warner, diz sobre:

IRÃ – “Eles são um Estado soberano. Nós temos 28 mil [bombas atômicas]. Por que eles não podem ter 10? Nós não falamos nada sobre Israel – eles têm cerca de 100 delas – ou sobre a Índia ou o Paquistão ou a Rússia” 19.09.2006” http://pt.wikipedia.org/wiki/Ted_Turner#Recentemente – típica argumentação burra de que um país que declara ter planos para destruir toda uma nação deve ser considerado e tratado da mesma maneira que outro com histórico sério e equilibrado -

CUBA – “Mas isso [que Fidel Castro executou (mandou executar) milhares de pessoas em Cuba] nunca foi, pelo que eu saiba, nunca foi provado.” – ah sim, as vítimas cubanas foram assassinadas pela forte e bem estruturada direita que existe em Cuba (para não consideramos el paredon um tipo de gripe forte que mata pessoas) http://www.foxnews.com/story/0,2933,465124,00.html – se negar o Holocausto é crime, o que esse senhor acabou de cometer com essa declaração é crime de mesma natureza.

E assim caminha a CNN, seus líderes e staff, sempre que possível, longe dos fatos (com raras exceções). Não sem razão Bill O’Reilly*, em seu livro Culture Warrior**, afirma que a CNN, “que nunca teve um âncora tradicionalista com a possível exceção do business man Lou Dobbs, inclina-se bem para a esquerda.”, mesmo sendo TED TURNER o maior latifundiário dos EUA (http://en.wikipedia.org/wiki/Ted_Turner), que diz o ser para fins de conservação ambiental, enquanto outros apontam se tratar de uma estratégia em conjunto com a ONU “para criar um vasto refúgio para a vida selvagem que expulsaria rancheiros e fazendeiros do Nebrasca.” (http://www.independent.co.uk/news/world/americas/turner-becomes-largest-private-landowner-in-us-761711.html).

*Âncora da Fox News Channel, canal que quando criado recebeu as seguintes palavras de Ted Turner: "esmagaremos a Fox News como um inseto" (p. 61 do livro citado abaixo) - engraçado que o inseto ficou não só maior que a CNN (do Teddy), mas sim maior que a combinação CNN e NSNBC (a rede de TV americana mais de esquerda que tem) - http://en.wikipedia.org/wiki/Fox_News_Channel#Ratings
.
**O’REILLY, BILL, Culture warrior, 1st ed., New York, Broadway Books, 2007, p. 58

Domingo, 31 de Maio de 2009


Alguns links interessantes com mais dados para entender esse velho movimento que opõe:

- quem acredita ser a verdade intangível e quem acredita poder atingi-la;

- quem aplica a retórica e quem aplica a dialética + lógica;

- quem fundamenta suas posições pelo critério da atualidade e quem as fundamenta pelo da veracidade;

- revolucionários e conservadores;

- sofistas e filósofos,

- esquerda e direita;

- filosofia moderna e Igreja,

- Wittgeinstein e Husserl,

- gnosticismo e cristianismo, ... :



É interessante perceber que o embate entre direita e esquerda é apenas uma parte do verdadeiro embate milenar, uma manifestação histórica dentre diversas outras desse embate.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

ARGUMENTO HISTÓRICO DO CONSERVADORISMO


Não bastassem os argumentos levantados nos artigos anteriores sobre o conservadorismo, que ao contemplarem a importância da conservação do conhecimento, contemplam necessariamente a natureza histórica dessa conservação, acho interessante comentar especificamente a importância dessa natureza histórica da conservação do conhecimento para a evolução do homem.

O que é o conhecimento senão a projeção (passiva e ativa) do que nos chega por um dos cinco sentidos em um contexto histórico de formas e conteúdos que se encontra em nossa mente? Fisiologicamente vemos o mesmo que um recém nascido, mas intelectualmente vemos muito mais. A conservação do conteúdo é essencial para a intelecção. A eliminação do conteúdo conservado transforma o contexto mental antes apto a articular com o novo e descartar os monstros produzidos pelo sono da razão em um contexto mental inerte, que aceita tudo e qualquer coisa. Em psicanálise chamaríamos isso de lavagem cerebral. Em sociologia chamamos isso de revolução. E elas não são coisas distantes umas das outras. Estou certo de não existe revolução sem lavagem cerebral. Como surgiriam Hitler, Stalin, Mao, Khomeini e cia. limitada sem pessoas majoritariamente influenciadas por cérebros lavados?

O livro 1984 de George Orwell* retrata muito bem isso: como é essencial matar a história para se atingir, ou no caso do livro, manter um Estado Revolucionário [alguns – que não leram o livro – tentarão argumentar que o Estado era Totalitário, ao que responderei: (i) não existe revolução que não seja totalitária – lanço o desafio por um único exemplo de revolução não totalitária em toda a história humana – e (ii) o livro é expresso ao dizer que o Estado era Revolucionário**.]. No livro a história é apagada de duas formas diferentes:

História sendo apagada do Conhecimento Geral

“What happened in the unseen labyrinth to which the pneumatic tubes led, he [o personagem principal, que trabalhava no Ministério da “Verdade” alterando notícias e informações publicadas] did not know in detail, but he did know in general terms. As soon as all the corrections which happened to be necessary in any particular number of the Times [revista Times] had been assembled and collated, that number would be reprinted, the original copy destroyed, and the corrected copy placed on the files in its stead. This process of continuous alteration was applied not only to newspapers, but to books, periodicals, pamphlets, posters, leaflets, films, sound-tracks, cartoons, photographs – to every kind of literature or documentation which might conceivably hold any political or ideological significance. Day by day and almost minute by minute the past was brought up to date.” p. 42 [Esse texto me faz lembrar das fogueiras de livros de Hitler e do Livro Vermelho de Mao.]

História sendo apagada do Conhecimento Individual

“‘You believe that you had seen unmistakable documentary evidence proving that their confessions were false. There was a certain photograph about which you had a hallucination. You believed that you had actually held it in your hands. It was a photograph something like this’. (…) ‘It exists!’ he cried. ‘No’, said O’Brien. He stepped across the room. There was a memory hole in the opposite wall [tubo onde os objetos lançados são sugados e destruídos para sempre]. O’Brien lifted the grating. Unseen, the frail slip of paper was whirling away on the current of warm air; it was vanishing in a flash of flame. O’Brien turned away from the wall. (…) ‘It does not exist. It never existed.’ ‘But it did exist! It does exist! It exists in memory. I remember it. You remember it.’ ‘I do not remember it,’ said O’Brien. (…) ‘There is a Party slogan dealing with the control of the past,’ he said. ‘Repeat it, if you please.’ ‘Who controls the past controls the future: who controls the present controls the past.’ Repeated Winston. (…) ‘Is it your opinion, Winston, that the past has real existence?’ Again the feeling of helplessness descended upon Winston. His eyes flitted towards the dial [botão que estava sendo apertado pelo O’Brian para dar choques no Winston sempre que o Winston dava uma resposta em desconformidade com o que os revolucionários queriam]. He not only did not know whether ‘yes’ or ‘no’ was the answer that would save him from pain; he did not even know which answer he believed to be the true one. (…) O’Brien held up his left hand, its back towards Winston, with the thumb hidden and the four fingers extended. ‘How many fingers am I holding up, Winston?’ ‘Four’ ‘And if the Party says that it is not four but five – then how many?’ ‘Four’ The word ended in a gasp of pain. The needle of the dial had shot up to fifty-five. (…) ‘How many fingers, Winston?’ ‘Four’ The needle went up to sixty. ‘How many fingers, Winston?’ ‘Four! Four! What else can I say? Four!’ The needle must have risen again, but he did not look at it. (…) ‘How many fingers, Winston?’ ‘Four! Stop it, stop it! How can you go on? Four! Four!’ ‘How many fingers, Winston?’ ‘Five! Five! Five!’ ‘No, Winston, that is no use. You are lying. You still think there are four. How many fingers, please?’ ‘Four! Five! Four! Anything you like. Only stop it, stop the pain!’ Abruptly he was sitting up with O’Brien’s arm round his shoulders. He had perhaps lost consciousness for a few seconds. (…) ‘You are a slow learner, Winston’ said O’Brien gently. ‘How can I help it?’ he blubbered. ‘How can I help seeing what is in front of my eyes? Two and two are four.’ ‘Sometimes, Winston. Sometimes they are five. Sometimes they are three. Sometimes they are all of them at once. You must try harder. It is not easy to become sane.’ He laid Winston down on the bed. The grip on his limbs tightened again, but the pain had ebbed away and the trembling had stopped, (…) ‘Again’, said O’Brien. The pain flowed into Winston’s body. The needle must be at seventy, seventy-five. He had shut his eyes this time. He knew that the fingers were still there, and still four. All that mattered was somehow to stay alive until the spasm was over. He had ceased to notice whether he was crying out or not. The pain lessened again. He opened his eyes. (…) ‘How many fingers, Winston?’ ‘Four. I suppose there are four. I would see five if I could. I am trying to see five.’ ‘Which do you wish: to persuade me that you see five, or really to see five.’ ‘Really to see them.’ ‘Again,’ said O’Brien. Perhaps the needle was at eighty – ninety. (…) The pain died down again. When he opened his eyes it was to find that he was still seeing the same thing. Innumerable fingers, like moving trees, were still streaming past in either direction, crossing and recrossing. He shut his eyes again. ‘How many fingers am I holding up, Winston?’ ‘I don’t know. I don’t know. You will kill me if you do that again. Four, five, six – in all honesty I don’t know.’ ‘Better,’ said O’Brien. (…) ‘Power is in tearing human minds to pieces and putting them together again in new shapes of you own choosing. Do you begin to see, then, what kind of world we are creating?’” ps. 258-279 [Gramsci e Pavlov, ambos “cientistas” que serviram à revolução, poderiam ajuizar uma ação contra George Orwell por plagiar tão bem suas idéias no texto acima. "Como poderia viver o homem se cada experiência fosse sempre uma nova experiência?"*** Só poderia viver se alguém estivesse sempre a seu lado "guiando-o" quanto ao que fazer em seguida.]

Até a língua, instrumento capaz de articular reflexões e expulsar os monstros produzidos pelo sono da razão, era transformada numa nova língua (Newspeak), com novos conteúdos que não permitiriam pensamentos “ruins”, leia-se: contrários à revolução (algo parecido com o que está acontecendo atualmente no movimento do Politicamente Correto), retratando muito bem as relações inversamente proporcionais entre conservação (sob o aspecto histórico) e dominação.

Não conservar o conhecimento é se tornar vulnerável a ver um monstro-produzido-pelo-sono-da-razão qualquer dominar sua mente, transformando-o em um cérebro lavado e vazio e em uma peça de um movimento revolucionário qualquer criado e dirigido por outros zumbis. Para quem sente: “Always the eyes watching you and the voice enveloping you. Asleep or awake, working or eating, indoors or out of doors, in the bath or in bed – no escape.”, vale lembrar que “Nothing was your own except the few cubic centimeters inside your skull” (p. 29) e que temos esse importante ponto de partida.


*Dados da versão de onde extraí os trechos acima: ORWELL, George Nineteen Eighty-Four, England, Penguin Books, 1987

**“The thing you invariably came back to was the impossibility of knowing what life before the Revolution had really been like.” p. 75 (esse é apenas um dos diversos parágrafos do livro que tratam o Estado Oceania como revolucionário; um parágrafo que expressa bem a morte da história no processo revolucionário).
.
***"Como poderia viver o homem se cada experiência fosse sempre uma nova experiência? Como poderia ele manter a sua existência se tivesse que experimentar cada fato como algo de novo? Bergson exemplificava imaginando um homem que houvesse perdido totalmente a memória, e que não tivesse qualquer memória. Quando ele praticava um ato, esquecia-o totalmente logo após à prática, e o ato seguinte ser-lhe-ia inteiramente novo, sem qualquer ligação com os atos anteriores. Esse homem não poderia viver, se entregue a si mesmo, pois não lhe guiaria a memória nenhum de seus atos. Poder-se-ia queimar no fogo tantas vezes quantas dele se aproximasse; morreria de fome, pois não guardaria a memória do alimento para satisfazer aquela necessidade imperiosa." DOS SANTOS, Mario F. in Filosofia e cosmovisão, 6ª edição, São Paulo, Editora Logos, 1961, pg. 43

Sábado, 9 de Maio de 2009

FUNDAMENTO LÓGICO DO CONSERVADORISMO


“Para que surja uma ciência é necessário: primeiro, que alguns indivíduos tenham algum contato com algum tipo de objeto na sua experiência real; segundo, não basta que eles tenham tido esses contatos, é preciso que esses objetos se tornem como imagens ou sinais relativamente estabilizados na consciência, a ponto de eles poderem falar dessas coisas. Isso tudo antes de aparecer a ciência. Por exemplo, quando aparece a geometria, antes de aparecer o primeiro geômetra é preciso que alguém tenha percebido que existem quadrados, triângulos, etc. Sem saber nada de geometria. Mas ele precisa poder identificar essas formas de maneira estabilizada e poder falar delas.

E você acha que o homem nasce sabendo isso? Não, isso dá um trabalho miserável ! Ou seja, um sujeito, uma geração percebeu; percebeu mas não criou os termos para aquilo. Então aquilo se perde, e a geração seguinte tem que perceber de novo. Aos poucos, se diz: foi estabilizado na linguagem, temos o nome para essa coisa, então podemos começar a falar dela. É muito tempo depois de se poder falar dela que surge a idéia de estuda-la cientificamente. Mas tudo isso depende de registros que permitam a cada geração o retorno às mesmas experiências intelectivas que permitiram o surgimento da primeira investigação. Se você não é capaz de ter as mesmas intuições que Euclides teve quando estava compondo “Os Elementos de geometria”, você não poderia entender nada da geometria de Euclides. É que ela está montada numa ordem lógica que lhe permite estudar cada teorema para você mesmo intuir as relações que ele está querendo lhe mostrar.”
(gn)

E como se dá essa ordem lógica? O próprio professor Olavo, de quem retirei as palavras acima (1), lança a idéia:

“Dizemos que uma ciência progride. Por que? Porque as descobertas da geração anterior são premissas para as descobertas seguintes. Se você descobre um novo fato, esse novo fato se torna a premissa menor de um silogismo cuja premissa maior são os conhecimentos adquiridos anteriormente. É assim que a coisa vai andando, pois se você descobre um fato novo, mas não tem premissas com as quais articula-lo, você não tira conclusão nenhuma, daí a coisa não foi nem para frente nem para trás. As ciências só existem porque a progressão temporal vai sendo gradativamente montada sob a forma de uma progressão lógica.

Se o que vem antes é premissa do que vem depois, existe não apenas a relação temporal, mas uma articulação lógica. Claro que essa articulação lógica não se produz por si, que é cada novo pesquisador que, tendo descoberto alguma coisa nova, tem que articular aquilo logicamente com a anterior. Se ele não conseguir articular, das duas uma: ou o fato que ele descobriu é falso e aquilo não acontece, ou então a teoria anterior estava errada, daí ele tem que montar de outro jeito.”
(gn)

Que o processo acima é uma verdade para o conhecimento científico não questionamos afinal, a própria ciência surgiu dessa constatação filosófica, que consistiu na aplicação do método com a consciência de que se estava aplicando-o. A questão que devemos nos fazer é se podemos aplicar essa mesma leitura para o conhecimento humano não exato como método para desenvolver o conhecimento em outras atividades humanas, em especial, nas atividades humanas.

Para isso, proponho ao leitor que faça a releitura do texto acima, no qual encontrará trechos que negritei na conclusão de que referidos trechos poderiam sim serem perfeitamente aplicáveis a qualquer tipo de conhecimento humano. Mais do que concluir que podemos utilizar esse processo, acredito devermos nos pautar nele para chegarmos a melhores conclusões. E lanço como fundamento desse argumento dois exemplos que julgo simbólicos:

EXEMPLO 1

Sócrates, quando nos mostrou que a beleza não era uma substância etérea mas algo que poderia recair sobre diversas substâncias diferentes, acabou nos ensinando que é possível usar a progressão lógica do conhecimento em conhecimentos que não são propriamente pertencentes aos ramos da matemática e da física (como a relação entre atributo e substância). No Capítulo VIII do Livro III do livro Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates(2), Xenofonte lança o seguinte diálogo:

“Outra vez, inquirindo-lhe [a Sócrates] Aristipo se conhecia alguma coisa bela:

___ Sim, conheço muitas coisas belas – respondeu.
___ Serão todas semelhantes?
___ Tanto quanto possível, há as que diferem essencialmente.
___ Como pode ser belo o que do belo difere?
___ Por Júpiter! Como de um bom lutador difere um bom corredor, como da beleza de um venábulo, feito para voar com força e velocidade, difere a beleza de um escudo, feito para a defensiva.”


Sócrates não estava anunciando uma lei física ou uma regra matemática, mas “apenas” a a idéia de que as substâncias poderiam ter atributos e de que esses atributos não se confundiam com elas, embora só pudessem existir nelas, como viria dizer Aristóteles depois de descer o mundo das idéias de Platão para o nível de equivalência ao mundo das substâncias que referidas idéias pretendiam descrever.

Esse ensinamento foi uma das bases de uma proposta de análise dos fenômenos pela clave da Singularidade/Universalidade que só foi possível partindo do acúmulo de outros conhecimentos anteriores (o de Sócrates, neste caso), tendo sido ele: (i) muito proveitoso em seguida, para Platão e Aristóteles, tendo gerado mais conhecimento e (ii) pouco proveitoso nos Cínicos, Céticos, Epicuristas e Estóicos.

Os frutos de Aristóteles foram possíveis a partir dos frutos de Platão e assim sucessivamente. O filósofo Aristóteles, se tivesse nascido na Inglaterra daquela época, não teria existido. E muitos gregos viveram na Inglaterra daquela época em plena Grécia pelo simples fato de terem decidido pela ruptura drástica com o legado até então acumulado em lugar de sua conservação. E foram morar em barris, consolidando um importante exemplo do impacto da conservação de conhecimento para a evolução ou, no caso, do impacto de sua não conservação.

EXEMPLO 2

O Irã, país que podia se gabar até o século passado de não dever nada a Europa em termos de filosofia, na Revolução Iraniana (1979), jogou tudo isso fora para ficar basicamente com uma parte atrasada de sua religião, e hoje conta, por exemplo, com um presidente que quando fora prefeito de Teerã, dois anos antes, obrigara todos os homens da administração pública a usarem barba e camisa de manga comprida (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2005/06/050625_perfilahmadcg.shtml) e que hoje quer “riscar Israel do mapa”, seja lá o que ele, que corre tanto com seu programa nuclear, quer dizer com isso. E isso não é novidade nessa recente história de 30 anos da República Islâmica do Irã (quem não se lembra do ataque contra judeus na Argentina em 94 coordenado pelo presidente Iraniano à época (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2007/05/15/ult579u2152.jhtm)?

É notório que, ao invés de avançar, o povo iraniano recuou séculos no tempo e hoje, aqui do século XXI, sequer conseguimos entender os discursos que vêm de lá. O movimento revolucionário iraniano, liderado parcialmente da França pelo aiatolá Khomeini (http://en.wikipedia.org/wiki/Neauphle-le-Ch%C3%A2teau), país de onde partiu para o poder no Irã (http://en.wikipedia.org/wiki/File:Imam_Khomeini_in_Mehrabad.jpg), influenciado por livros como Lês damnés de la Terre (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Wretched_of_the_Earth), manual revolucionário comunista, traduzido para o persa (farsi) pelo Ali Shariati (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Wretched_of_the_Earth), um dos principais ideólogos (se não o maior) da Revolução Iraniana (http://en.wikipedia.org/wiki/Ali_Shariati) que estudou islamismo, pasmem, com dois scholars franceses Luis Massignon (http://en.wikipedia.org/wiki/Louis_Massignon) e Jacques Berque (http://en.wikipedia.org/wiki/Jacques_Berque), jogou na lata de lixo uma imensidão de conhecimentos da cultura iraniana que deveriam ser conservados para que outras gerações pudessem avançar e que agora estão segregados até que a história prove empiricamente que a “não conservação” foi um ENORME erro (o que, no caso do Irã, deverá acontecer nas próximas duas gerações – quanto mais profunda a revolução, mais rápida ela acaba) e o processo evolutivo seja retomado.

E como isso poderia ser diferente? Da mesma forma que o foi para os Escolásticos, por exemplo, que mantiveram pela Igreja a religião judaica e o novo testamento juntos à filosofia grega e ao direito romano (3), o que permitiu o desenvolvimento do conhecimento adquirido até então, agregando, inclusive, grandes filósofos do Islã – São Tomás de Aquino, o maior escolástico, estudou profundamente Averrois (http://pt.wikipedia.org/wiki/Averr%C3%B3is) e Avicena (http://pt.wikipedia.org/wiki/Avicena), (este) por quem nutria grande admiração.

E, sendo o processo de acumulação de conhecimento um processo, como proposto por Olavo na transcrição que fiz no início do texto, por meio do qual o conhecimento novo se relaciona com o conhecimento conservado para, dialeticamente, formar uma nova síntese (evolução), podemos concluir que a conservação do conhecimento é logicamente necessária para a evolução dele, do que decorre, logicamente, ser o CONSERVADORISMO uma opção pela evolução e a REVOLUÇÃO uma opção pelo atraso, conclusão essa que, pela quantidade de exemplos históricos disponíveis, dispensaria o presente artigo.

(1) CARVALHO, Olavo de in Período Helenístico - coleção história essencial da filosofia, Aula 6, 1a edição, São Paulo, É Realizações Editora, 2006, p. 20 e 21
(2) Coleção Os Pensadores – Sócrates, 1996, Nova Cultural, p. 143
(3) RUSSELL, Bertrand in History of western philosophy, London, 2000, p. 19

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

FUNDAMENTO FILOSÓFICO DO CONSERVADORISMO


Peguei-me lendo hoje um INTERESSANTÍSSIMO trecho do livro A Sabedoria das Leis Eternas, no qual Mário Ferreira dos Santos, ao tratar da EVOLUÇÃO, descreve que:

“PARA QUE HAJA UMA EVOLUÇÃO, É NECESSÁRIO, consequentemente, QUE ALGO PERMANEÇA, que algo seja invariante, QUE ALGO SEJA CONSERVADO, enquanto algo se desenvolve nas atualizações das suas possibilidades, comproporcionadas à sua forma.” (...) “Toda coisa em si mesma é o que é pela forma que tem, pela lei de proporcionalidade intrínseca que a faz ser o que é e não outra coisa; mas este arithmos pode ser tomado em dois aspectos: in indivisibili e in divisibili. In indivisibile é a forma no sentido aristotélico, e in divisibile (divisivelmente, gradativamente) é o seu aspecto dinâmico, a sua dinamicidade.”1 (gn)

Faz todo o sentido que a evolução pressuponha a manutenção de algo que permita a identificação de que um determinado ser, não obstante as alterações sofridas, é o mesmo ser de antes, mudado, porém. Se isso não fosse possível, jamais conseguiríamos identificar mudanças. Tudo o que enxergaríamos seriam sempre coisas novas. E, mesmo que dispondo de uma memória perfeita, jamais conseguiríamos comPARar “seres” a fim de dizer: (1) pela paridade, se tratar do mesmo ser e (2) pelas diferenças, se tratar de um ser mudado. Estaríamos condenados a recriar eternamente a roda (isso se chegássemos lá).

Por isso, em sentido contrário, não faz sentido falarmos em revolução já que a revolução não aceita como ponto de partida o conhecimento (do ser) que adquirimos durante nossa evolução, conhecimento esse que algumas pessoas buscam conservar para dele extrair melhores produtos humanos (seja uma música, uma política administrativa de governo, um teorema matemático, um aplicativo econômico, um software, um novo prato na culinária, e assim sucessivamente).

Esse é, para mim, um belo fundamento do conservadorismo.

1. DOS SANTOS, Mario F. in A Sabedoria das Leis Eternas da Sabedoria, 1ª edição, São Paulo, Editora É Realizações, pgs. 91/92

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

ABORTO - REFLEXÕES MAIS MADURAS SOBRE O CASO DE ALAGOINHA


Em atenção aos comentários deixados em meu artigo ABORTO - O mundo está ficando muito louco mesmo!, destaco que à época optei por tratar nele apenas das duas crianças abortadas, pois minha meta era acrescentar aos demais pontos que estavam então em debate um que considerava e continuo considerando essencial (embora tenha ficado esquecido) para (1) a leitura do episódio e (2) a participação na escolha de qual seria a saída mais apropriada para ele - participação essa que foi, sem falsos trocadilhos, abortada no aborto. Entendo que (i) o agravamento peculiar do dano (estupro) sofrido pela criança de 9 anos que se deu com a gravidez, (ii) a realização do aborto e (iii) a declaração da excomunhão são pontos que não existiriam sem a prévia existência dessas duas crianças com vida no útero da menina, motivo pelo qual, entendo que o debate não poderia as deixar de lado. Entendo, também, que em nenhum momento a questão foi abordada sob a verdade de que, embora os envolvidos estivessem pagando pelo crime do execrável, seriam as crianças que, com a vida, seriam punidas. E, não entendendo como esse ponto foi subtraído do debate e substituído pela raivosa acusação de atraso da Igreja em suas “posições dogmáticas”, resolvi lançar o argumento.

Faço minhas as palavras do Padre Paulo Ricardo: “Está todo mundo morrendo de dó dos enfermeiros que foram cúmplices do crime de aborto porque a Igreja Católica, num ato de crueldade terrível, excomungou os pobrezinhos.” (http://www.padrepauloricardo.org/) Quando, na verdade, foi a Igreja a única nesse episódio que considerou que, além da criança de nove anos, existiam, também, as duas crianças ainda em gestação, gestação essa que só poderia ser interrompida se houvesse laudo médico demonstrando (vamos nos lembrar que estamos diante de uma ciência que precisa fundamentar seus prognósticos) o risco de vida da menina e não apenas alguns médicos dizendo isso (vamos nos lembrar de que a retórica não é instrumento utilizado pela ciência).

Ciência não é fundamentada em bom senso ! E se o bom senso nos sugere a conclusão de que nesse episódio as três crianças morreriam, a ciência mostra em diversos outros que a gestação nessa condição extrema pode sim ser viável (27.610 casos na faixa 10-14 anos no Brasil em 2006, 260 de gravidez dupla, para ser mais exato - http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def).

PS.: para mais informações sobre o caso (e não da historinha que foi inventada e disseminada), acesse: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid336023,0.htm; para informações sobre outros casos de gravidez de menina de 9 anos (estes sem aborto), acesse: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u123617.shtml; http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/02/ult34u169397.jhtm; http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020911/vid_mat_110902_36.htm

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

CONHECIMENTO E CONSERVADORISMO


A importância do movimento conservador para a evolução de nosso conhecimento é muito bem representada pelos seguintes trechos:

"Você está numa situação histórica definida por uma série de patamares já conquistados. Esses patamares criaram a situação. Você está em cima disso e quer fazer de conta que é o primeiro, quando não é. Até a sua linguagem já está determinada por toda essa evolução; aquelas contribuições todas estão de certo modo embutidas ali. Se você acha que pode fazer o conhecimento avançar partindo da negação de que alguém tenha descoberto alguma coisa antes de você [doutrinas revolucionárias, por exemplo], não vai chegar a nada. Isso quer dizer que, quanto mais existe cultura acumulada, menos você tem o direito de ignorá-la. Por que? Porque a sua situação existencial já está definida ... Não só os seus conhecimentos são definidos por essa acumulação, mas também a sua própria situação existencial. Desde pequeno você recebeu uma educação, vive dentro de um quadro jurídico, social, político, moral, etc. já definido por toda essa acumulação. Você depende dela em tudo o que faz, é um filho da civilização. Então, se quer brincar de Adão no paraíso, para começo de conversa você está mentindo." p. 45

"Quando o sujeito começa a falar em nome da humanidade como se fosse o porta-voz da consciência humana universal, ele está no mundo da lua ! Você só passa cognitivamente para uma época se de fato absorveu o que foi dado até lá. E nunca se passa "coletivamente" [como queriam Engels, Marx, Lenin, Trotski, Stalin, Mao, Hitler, Mussolini, Darwin, Aiatolá Khomeini, ... em oposição ao que ensinava Cristo, que não falava em nome da humanidade - pelo contrário, foi morto por ela - e que dizia que a salvação é individual; Sócrates, Buda, São Tomás de Aquino, Santos, ...], nunca, porque coletivamente cada sujeito que nasce, nasce na Idade da Pedra. Você não é muito diferente do homem da Idade da Pedra, então vai ter que percorrer de novo todas aquelas etapas. Cada um tem que percorrer trabalhosamente por si para poder chegar ao seu próprio século!" p. 49

"O filósofo grego rompia com a religião dominante; aquela religião constituía-se apenas de mitologia e cultos, não tinha uma teologia, não tinha um legado de experiências místicas já sistematizado, arrumado, não tinha nada disso. Agora, no cristianismo sim. Nesse ínterim, as pessoas que passaram por isso, os teólogos, os místicos, etc., descobriram muita coisa. Se você, porque não quer ficar na religião, ignora tudo isso, está cometendo o pecado mortal de 'adamismo', está achando que é o primeirão quando na verdade não é. E provavelmente vai cometer erros que já foram cometidos e corrigidos há mil anos. Você volta para trás. É isso que Shelling quis dizer com 'caiu para um nível pueril'." p. 45

"Aquelas técnicas dialéticas todas criadas depois, ao longo de um milênio de Escolástica, elas todas existem, existem e funcionam. Você não pode fazer de conta que nada disso aconteceu e, em pleno ano 2000, montar uma discussão baseada em erros de lógica que em 1200 os caras já tinham desmontado. Isso é um barbarismo - se bem que as pessoas fazem esse barbarismo, e muitas são pagas para fazê-lo, recebem, fazem uma carreira e ganham prêmio Nobel fazendo-o." p. 47

Um exemplo de patamar adquirido mencionado é o seguinte:

"O dinheiro, a riqueza, é um poder somente em certas situações determinadas, em que a base do poder destrutivo já está hierarquizada. Quando quebra essa base, o dinheiro não é mais poder algum. Isso Sun Tzu já sabia e os caras não sabem até hoje: o pessoal da ONU não sabe, tem muito estrategista pago pelo governo americano para dizer bobagem que não sabe disso ... {Aluno: Lenin sabia disso, não é?} Nossa! Lenin sabia, sabia! Quem é que não sabe que, entre o rico desarmado e o pobre armado, quem manda é o pobre? [este pode ser considerado um dos motivos pelo qual o rico se arma pelo Estado e pela Segurança Privada] Isto é um desses patamares, como o ápeiron: depois que o homem enunciou (...) não tem jeito de você voltar atrás. Isso é um princípio. Esse negócio das castas e dos poderes que eu tenho explicado, tudo isso é terreno conquistado; você tem o direito de querer descobrir mais alguma coisa, o que não pode é ignorar isso e, se fazendo de superior, cair para um nível muito anterior." p. 49/50

CARVALHO, Olavo de in Pré-socráticos - coleção história essencial da filosofia, Aula 5, 1a edição, São Paulo, É Realizações Editora, 2006

Felizmente uma parte do conhecimento humano encontra-se hoje protegido pela ciência probabilística – essa que existe hoje – conhecimento científico, que ao exigir fundamentação daquele que pretende substituir/superar um conhecimento já adquirido, protege esse conhecimento contra o "adamismo".

A outra parte (nem todo o conhecimento está sujeito à ciência empírica, como, por exemplo, a ciência política, a jurídica, ...), porém, criada em séculos de aplicação da dialética e da lógica aristotélicas (ciência no formato aristotélico), ausente muitas vezes da probabilística supervalorizada no Iluminismo, só encontra defesa em mentes conservadoras, para as quais o que vale é a Veracidade e não a Atualidade de uma nova idéia.

E é dessa forma, partindo do conhecimento que já foi criado, disponibilizado no passado, que podemos (A) reconhecer que:

(1) na CIÊNCIA POLÍTICA, o conceito de propriedade, por exemplo, que antes significava posse, liberdade e vida (LOCKE, John in Segundo tratado sobre o governo, 1ª edição, São Paulo, Editora Martin Claret, 2002, ps. 69 e 123, sim um iluminista), passou a significar apenas posse ou, em alguns casos, a injusta apropriação daquilo que deve pertencer a todos (comunismo), retrocesso até hoje rebatido, como no caso do conservador Kirk Russel, para quem a forte conexão entre propriedade e liberdade era um princípio de sua doutrina conservadora;

(2) na CIÊNCIA JURÍDICA, o conceito de propriedade passou a incluir um novo elemento (ainda que acessório) denominado “função social” antes inexistente, conforme artigo 5º, inciso XXIII da Constituição Federal de 1988, elemento por meio do qual podemos constantemente reclassificar as propriedades em classes conforme for o entendimento de “função social” de uma dada época, de um dado governo – propriedade de primeira classe - a que tem função social e é protegida especialmente pelo caput do artigo 5º da Constituição – e propriedade de segunda classe - a que não tem função social e, consequentemente, não recebe a mesma proteção, podendo ser invadida por integrantes de movimento social que em determinada época é tido como representante do que se entender por função social (como é o caso do MST atualmente)

só para citar alguns exemplos, e, após reconhecer isso, (B) apontar com mais “propriedade” uma melhor trilha a ser seguida, evitando erros que por vezes já foram cometidos e corrigidos há mais de 1000 anos.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

FERIADO DE TIRADENTES


Em homenagem ao Feriado de Tiradentes, símbolo, ainda que controvertido, de resistência à tributação excessiva, trago ao conhecimento de vocês o novo Tea Party (Festa do Chá), movimento de resistência a tributação do Estado Democrata que ocorreu na semana passada, em diversas cidades dos EUA. Vejam os seguintes links:

http://www.youtube.com/watch?v=ItZV47NOQ7A

http://www.youtube.com/watch?v=PCQlVKKqod4

http://www.youtube.com/watch?v=qrC8SJOe2gw

Espero que a maioria dos brasileiros, que nesse momento devem estar viajando, se divertindo, descansando, comendo, bebendo, dançando, possamos parar um minuto ao menos para pensar se também nós não precisamos fazer um Tea Party por aqui.









Domingo, 19 de Abril de 2009

REVOLUCAO BOLIVARIANA


Já fomos alertados há algum tempo desse movimento que ocorre na Venezuela (e em vários outros lugares – e que também já ocorreu antes em outros lugares) pela Igreja:

“De outro modo, está bem claro, as ideologias mais revolucionárias não têm como resultado senão uma mudança de patrões; instalados por sua vez no poder, estes novos patrões rodeiam-se de privilégios, limitam as liberdades e instauram novas formas de injustiça.” (Octogésima Adveniens, 45 - http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html)

"Não é na revolução que reside a salvação e a justiça, mas sim na evolução bem orientada. A violência só e sempre destrói, nada constrói; só excita paixões, nunca as aplaca; só acumula ódio e ruínas e não a fraternidade e a reconciliação. A revolução sempre precipitou homens e partidos na dura necessidade de terem que reconstruir lentamente, após dolorosos transes, por sobre os escombros da discórdia". (Discurso aos Operários na festa de Pentecostes de 1943 - http://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/encyclicals/documents/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html)

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

ALEXANDER HAMILTON SOBRE A CORAGEM PARA ASSUMIR O CAMINHO CERTO AINDA


Alexander Hamilton uma vez disse que "uma nação que prefere o infortúnio ao perigo está pronta para um senhor, e merece um". Tomo a liberdade de efetuar uma alteração no texto para que possamos aplicar essa mesma idéia também às pessoas, em especial àquelas que deixam de assumir e defender publicamente o que pensam com medo da reação popular que na quase totalidade das vezes é desinformada e sem fundamento algum:


"Uma [pessoa] que prefere o infortúnio ao perigo está pronta para um senhor, e merece um."
************
PS.: Sem deixar de fazer a necessária reserva para o fato de que foi Hamilton que lá no inicio defendeu o fortalecimento da União, em artigo denominado "A União como barreira contra facções e insurreição" (O Federalista), que se inicia assim:

"Uma União sólida será da máxima importância à paz e à liberdade dos Estados, como uma barreira contra facções e insurreições internas."

Aliás, a afirmação de Hamilton lançada acima faz do que hoje ocorre nos EUA uma grande ironia. Hamilton, àquela época, defendeu que a União assumisse as dívidas dos Estados decorrentes da guerra empreendida para a Independência a fim de, junto a outras propostas políticas, aumentar o poder da União em relação aos Estados. Essa proposta alinhou pessoas no grupo que posteriormente foi chamado de Federalista. Em oposição a esse grupo, encontrava-se Thomas Jefferson e James Madison que, em conjunto outras pessoas que se opunham ao fortalecimento da União, formaram o grupo posteriormente chamado de Republicano, grupo esse que deu origem ao Partido Democrata, que hoje, ironicamente, tem política pró Hamilton e contra seus próprios líderes fundadores, cuja defesa cabe atualmente ao Partido Republicano.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

FILMES QUE RECOMENDO


THE SOVIET STORY

Excelente documentário sobre a relação que existiu entre ex-URSS e o Terceiro Reich, que foi muito além do Pacto Nazi-Soviético ao qual historiadores e estudiosos dedicam capítulos exclusivos de suas obras (quando não ela inteira), como o fez Henry Kissinger, que em seu livro Diplomacia, 3ª edição, 2001, Univer Cidade Editora, tratou do tema no capítulo 13, que já na sua 12ª linha assim se manifesta:

“Por um tempo, seu [de Hitler e Stalin] interesse comum em acabar com a Polônia suplantou as diferenças ideológicas.”

O que me leva à segunda recomendação:


KATYN

Filme excelente (diferente da maioria dos filmes “intelectuais” europeus), embora seja chocante, revoltante, triste, muito triste (aqui estamos falando de prantos e não apenas lágrimas), dirigido pelo vencedor do Oscar Honorário Andrzej Wajda, que se baseou no livro de Andrzej Mularczyk – post mortem: A História de Katyn.

O filme trata (muito tardiamente, mas finalmente) do Massacre de Katyn, que consistiu no assassinato de oficiais do exército polonês e de civis (mulheres e filhos desses oficiais, em especial) pelos soviéticos em 1940 na floresta de Katyn, onde todos foram enterrados em valas comuns, crime reportado durante o período de influência Russa como sendo Nazista (que, também cometeu crimes abordados no filme), para a repulsa dos poloneses que sabiam da verdade.

Para aqueles que simpatizam com propostas socialistas e/ou nazistas (sei que ainda existem esses dois grupos de pessoas do mesmo tipo), recomendo ambos os filmes para que possam adquirir vergonha na cara e a coragem para reclusão intelectual por meio da qual estudarão filosofia (em especial dialética e lógica aristotélicas), história, arqueologia e religião (sob o aspecto histórico, que seja) para depois voltarem ao mundo com um mínimo de aptidão para apreenderem a realidade que circunda a todos nós, que clama nas ruas, que eleva sua voz na praça, que grita nas esquinas da encruzilhada para que paremos de zombar dela.

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

* * * * PÁSCOA * * * *


Alguns pensadores contemporâneos têm recebido cada vez mais aplausos por aí por afirmarem ser muita pretensão do homem dizer que um Deus, por ele mesmo descrito como sendo supremo, onipotente, onisciente, onipresente, completo e perfeito, o ama, justamente ele que é também por ele mesmo descrito como sendo um ser incompleto, limitado, falho e pecador. Perguntam-nos esses senhores como podemos falar de um Deus criador de todo esse Universo, obra de beleza e complexidade quase infinitas, perfeito e completo amando o homem, que nós mesmos descrevemos como uma criatura pecadora?

Para esses pensadores, nossa linha de pensamento, além de não poder ser provada (ponto já superado no artigo VOCÊ ACREDITA EM PAPAI NOEL? E EM DEUS?), não faz sequer sentido. Mais do que isso, segundo esses senhores, nossa crença revela o tamanho de nossa limitação intelectual, que deixa de ver a “verdadeira insignificância do homem perante o todo” e o faz ficar inerte a toda “sua responsabilidade existencial”. E, por fim, concluem zombando: como poderia um ser tão supremo como vocês descrevem ser Deus amar um ser tão mesquinho, insignificante e pecador como o homem !?

Esquecem-se esses senhores que os gregos, há milênios, já nos ensinaram a enxergar melhor o que seria o AMOR, tendo esse ensinamento sido coroado pelos ensinamentos de Cristo do que seria essa virtude, para muitos a VIRTUDE MÃE, que permite, por si, a presença de todas as outras virtudes: a polidez, a fidelidade, a prudência, a temperança, a coragem, a justiça, a generosidade, a compaixão, a misericórdia, a gratidão, a humildade, a simplicidade, a tolerância, a pureza, a doçura, a boa-fé e até o humor.

Nesses ensinamentos, que vêm de Hesíodo, Parmenedes, Heráclito, passam pelo Mito de Aristófanes e pelo Banquete de Platão e culminam no Sermão da Montanha de Cristo e na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, o amor passa a ser visto sob três principais facetas:

EROS – é aquele amor que nasce da falta, falta de algo que não temos e que encontramos no outro, que segundo o Mito de Aristófanes, é nossa metade separada por Zeus (nossa alma gêmea); é o amor-interesse em algo que nos falta.

PHILIA – é aquele amor que nasce da amizade que adquirimos a algo que nos é agradável, como é o amor (philia) a sabedoria (sophia), por ser esta agradável – philia sophia, filosofia; é o amor-interesse em algo que nos agrada.

ÁGAPE – é aquele amor que difere do amor interessado ora em algo que lhe falta (EROS), ora em algo que lhe agrada (PHILIA); é aquele único amor que permite o impossível tanto para Eros como para a Philia, que é amar o seu inimigo, o que só é possível para um amor desinteressado –

“Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, (...) Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam [PHILIA]. (...) Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada [ÁGAPE]. E grande será a vossa recompensa e serei filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.” Lc 6, 27-35;

é aquele amor que se chama caridade (e Ágape é a palavra grega para caridade, que hoje tem um sentido reduzido) pois esse amor é todo doação, como tão bem descreve São Paulo ao sobre ÁGAPE dizer que:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade [ÁGAPE], sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! A caridade é [e vejam aqui todas as virtudes citadas acima aparecendo dentro da virtude mãe, que é o amor, fonte das demais] paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A CARIDADE JAMAIS ACABARÁ [gn]. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, A MAIOR DELAS É A CARIDADE.” [fé e esperança deixarão de ser, a caridade jamais acabará].

essa é a Ágape.

Pressupor que Deus ama o homem porque o homem é objeto de amor, porque o homem é amável, porque desperta o interesse de Deus que, a partir disso o ama como se estivesse Ele interessado em algo que lhe agrada [PHILIA] realmente não é o que parece ocorrer e nisso concordo com esse povo todo aí. Agora, dizer que nossa crença é intelectualmente limitada é prova da própria limitação intelectual, pois deixa de entender que para o cristão, o amor de Deus é o amor ÁGAPE. Não o PHILIA. É assim que Deus, como disse Jesus, “é bom para com os ingratos e maus”. Deus nos ama não pelo que somos, mas porque Ele é todo amor [ÁGAPE]. E somos amados por Deus não por presunção nossa, mas pela grandeza Dele.

Até um ateu, André Comte-Sponville, parece ter entendido isso, deixando isso registrado de maneira interessante em seu livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, na 1ª edição da Editora Martins Fontes, de 2002, na página 299:

“O amor que Deus tem por nós, segundo o cristianismo, é ao contrário perfeitamente desinteressado, perfeitamente gratuito e livre: Deus nada tem a ganhar com ele, já que nada lhe falta, nem existe mais por causa dele, já que é infinito e perfeito, mas ao contrário se sacrifica por nós, se limita por nós, se crucifica por nós e sem outra razão a não ser um amor sem razão, sem outra razão a não ser ele mesmo renunciando a ser tudo. De fato, Deus não nos ama em função do que somos, que justificaria esse amor, porque seríamos amáveis, bons, juntos (Deus também ama os pecadores, foi inclusive por eles que deu seu filho), mas porque Ele é amor e o amor, em todo caso esse amor, não necessita de justificação. ‘O amor de Deus é absolutamente espontâneo’, escreve Nygren. ‘Ele não procura no homem um motivo. Dizer que Deus ama o homem não é enunciar um julgamento sobre o homem, mas sobre Deus’. Não é o homem que é amável; é Deus que é amor. Esse amor é absolutamente primeiro, absolutamente ativo (e não reativo), absolutamente livre: não é determinado pelo valor do que ele ama, que lhe faltaria (eros) ou o alegraria (philia), mas, ao contrário, ele determina esse valor amando. Ele é a fonte de todo valor, de toda falta, de toda alegria.”

E complementa que, segundo Nygren:

“A agapé é um amor criador. (...) A ágape não constata valores, cria-os. Ela ama e, com isso, confere valor.”

E é daqui que tiramos, sem presunção alguma, nossa grandeza. Não somos amados por Deus porque somos grandes. Somos grandes porque somos amados por Deus, que é grande em amor. E é esse amor que proponho que nos lembremos nestes feriados da Paixão (entrega de Si e de seu filho por amor ao homem) e da Ressurreição do amor que “jamais acabará”. Feliz Páscoa !

O PAPA E A CAMISINHA

Interessante: o povo está tão mal informado (e, por tabela, distante da verdade) que consegue ser superado pelo Papa mesmo quando o assunto é camisinha. Irônico, não!? Segundo o Papa, a distribuição de camisinha na África não resolve o problema da AIDS no continente. E pior, segundo ele, o agrava.

Não preciso dizer que uma massa de pessoas preguiçosas (porque raramente vão se informar e buscar os fatos antes de saírem publicando qualquer baboseira) e presunçosas (porque adoram emitir opiniões e obterem aquele aceno de cabeça e cara de conteúdo de outro presunçoso de plantão, de preferência sem ter feito esforço algum) novamente saiu vociferando contra a posição do Papa sem se atentarem, ironicamente, como disse acima, para o fato de que: (1) existem cientistas estudando a AIDS na África, (2) alguns deles já emitiram conclusões técnicas a respeito dela (Edward Green, Norman Hurst, Hearst and Chen, por exemplo), conclusões atualizadíssimas, por sinal, (3) existem pesquisas por meio das quais já se constatou que a distribuição de camisinha não soluciona o problema da AIDS na África e que, na verdade, a distribuição só o tem aumentado, (4) uma dessas pesquisas, a principal delas, não foi realizada por qualquer “espertalhão” de plantão, mas por um especialista em AIDS da Harvard, que já estuda o problema há 30 anos, e (5) existe Uganda, com uma redução de 70% de seus casos, para provar tudo isso.

Alguns artigos já foram publicados a respeito, motivo pelo qual o acesso à informação não está tão difícil assim (é preguiça mesmo dos presunçosos, que acham que não precisam pesquisar nada para sair falando qualquer coisa).

Vejam alguns desses artigos:

The Washington Post - http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/03/27/AR2009032702825.html - editorial escrito pelo próprio especialista de Harvard, Eduard Green, liberal (que no EUA é equiparável à esquerda – se já não estiver chegando lá), e que já estuda a AIDS (em especial na África) há 30 anos (é, o pessoal está por fora mesmo)

BBC - http://www.bbc.co.uk/blogs/ni/2009/03/aids_expert_who_defended_the_p.html - nem a BBC, reconhecida por sua campanha contrária ao pontificado de Bento XVI, pôde negar os dados

National Review - http://article.nationalreview.com/?q=MTNlNDc1MmMwNDM0OTEzMjQ4NDc0ZGUyOWYxNmEzN2E

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

ABORTO - O mundo está ficando muito louco mesmo!


O mundo está ficando muito louco mesmo! Uma menina de 9 anos é estuprada e quem é punido? Duas crianças inocentes!

A vida é absoluta ! Estou certo de que aparecerão as mais diversas justificativas e os mais variados valores para relativizar isso. Estou certo de que aparecerá, também, aquele argumento bobo do “e se fosse com você ou com alguém da sua família”, como se a pessoa que faz a pergunta tivesse se esquecido de que há séculos substituímos a autotutela pelo Estado de Direito justamente para evitar a desproporção pena/crime causada pela emoção. Por isso, por gentileza, se não for para apresentar o laudo médico elaborado para caso (ou link para ele) com a suposta conclusão de que a vida da menina estaria em risco (o que justificaria o aborto), nem deixem recados.

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

FORO DE SÃO PAULO JÁ ESTÁ UTILIZANDO ESTRUTURA DO ESTADO BRASILEIRO PARA GOVERNAR


Não, não dá para não escrever um artigo dedicado exclusivamente a esse tema ! Foro de São Paulo já está utilizando a estrutura do Estado Brasileiro para governar.

Não acredita? Então entre em: http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc que contém documento do Foro de São Paulo publicado em papel timbrado do Palácio do Planalto via website do Planalto. Já vi esse documento mais de dez vezes hoje a noite. Fui, vim, li, analisei o timbre, o endereço eletrônico, etc., e não consigo chegar a conclusão diversa do fato de que o Foro de São Paulo está usando o Estado Brasileiro (não é nem “só” uma questão de dinheiro público, é de Estado com letra maiúscula) para governar a América Latina. Basta ler o documento. Ele fala por si só. Pouco resta a se falar, muito a se fazer.

Vejo se tornar realidade o “grito de guerra” dos estudantes da Faculdade de Direito da USP na Sala dos Estudantes, na noite do dia 19 de novembro de 2003, quando Alaor Caffé Alves abandonou derrotado o debate com Olavo de Carvalho, que precisou ser escoltado para fora da faculdade (eu estava lá acompanhando o filósofo na saída) aos gritos de:

Alerta! Alerta! Alerta aos fascistas!
A América Latina será toda socialista.

FORO DE SÃO PAULO - NOVO ALERTA

Também eu quero deixar registrado minha preocupação com o movimento revolucionário que está em andamento na América Latina (embora já tenha iniciado o alerta no artigo DEPOIS DIZEM QUE O FORO DE SÃO PAULO NÃO TEM RELEVÂNCIA ...). É interessante poder dizer isso com conhecimento de causa. Vejam os fatos:

1. Com a vitória de Mauricio Funes em El Salvador no último dia 15 (http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/03/16/ult1859u778.jhtm), o Foro de São Paulo totaliza 15 presidentes eleitos e em exercício simultaneamente na América Latina - são 15 países nas mãos do Foro de São Paulo

2. E esse tal de Foro de São Paulo não é importante??? Não é isso que o presidente diz no site do GOVERNO BRASILEIRO, sim, repito, NO SITE DO NOSSO GOVERNO (OU SERIA NO SITE DO GOVERNO DELES) - http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc

3. Bem, da análise do documento acima, que prova que o fundador do Foro de São Paulo discursa como representante do Foro de São Paulo (à mesa do Foro de São Paulo - como grifei abaixo) e registra o discurso em papel timbrado do Governo Brasileiro, que é publicado em site do Governo Brasileiro, só podemos concluir que o Governo Brasileiro foi APROPRIADO pelo Foro de São Paulo


4. Depois de usar estrutura do Governo Brasileiro para veicular encontro do Foro de São Paulo, não é de se estranhar a utilização do termo "APROPRIADO" utilizado no item 3. acima ou dizer que ele é radical ou reacionário. Vamos adiante:

5. Você não acha ao menos estranho que o site oficial do Foro de São Paulo seja o site do PT, partido que governa o país hoje (http://www.pt.org.br/portalpt/foro/organizacao.php).

5. Você não acha ao estranho que em 1993, na Universidade de Princeton (ah, imagina se Princeton é comunista, que loucura dizer isso ...) Luis Inácio Lula da Silva, fundador e representante do Foro de São Paulo, fez um pacto com Fernando Henrique Cardoso, co-presidente do Diálogo Interamericano e membro desde o início (http://www.thedialogue.org/page.cfm?pageID=17), conhecido por PACTO DE PRINCETON por meio do qual estabeleceram a parceria entre PSDB e PT para revezamento no Poder Executivo do Brasil

6. Você não acha ao menos estranho sair repetindo por aí que o PSDB é um partido de direita quando FHC, seu principal líder, discípulo de ninguém mais ninguém menos que Florestan Fernandes, em 2006, declarou que "A direita é nada. A direita é clientelismo, é usar o Estado para ter vantagem. Em outros países há um pensamento mais conservador, mas nós não temos isso no Brasil." (http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1344935-5601,00.html).

7. Você não acha ao menos estranho sair repetindo por aí que o PSDB é um partido de direita quando descobre que SERRA, que parece um pacato e insistente partidário da direita foi membro e líder estudantil na Ação Popular, grupo de jovens com origem nos seguintes movimentos: Juventude Estudantil Católica (JEC), a Juventude Operária Católica (JOC), e a Juventude Universitária Católica (JUC), que, após o golpe de 64 e seu exílio, se tornou terrorista (tendo mudado de nome em 1971 para Ação Popular Marxista-leninista, cujo programa era tão radical que não era aceito nem mesmo pelo PC do B). Sim, Serra, o José, que como FHC, foi acolhido pela mesma Universidade de Princeton citada acima na década de 70.

8. Você não acha ao menos estranho sair repetindo por aí que o PSDB é um partido de direita quando, ao simples passar de olhos no Estatuto do PSDB, encontramos, já no artigo 2, o discurso de Marx na meta do partido de "prevalência do trabalho sobre o capital" (https://www2.psdb.org.br/biblioteca/publicacoes/Estatuto_sexta_edicao.pdf), dentre outros pontos?

9. Seria tão descabida a tese do filósofo Olavo de Carvalho, que desde 2002 vem falando da estratégia das tesouras de Lenin, em que os dois principais blocos políticos são de esquerda, um mais moderado, aparentando se tratar de uma opção ideológica? Será que dá para refutar isso lendo FHC declarando que a "Direita é nada."? Será que dá para refutar isso quando vc descobre que Serra foi sentenciado a mais de 10 anos de prisão por subversão, que eles todos já estavam em Princeton desde a década de 70, e que o Estatuto do PSDB tem como princípio máximo, já lançado no artigo 2º, doutrina marxista?

Bem, considerando que TODA A MÍDIA É ESTRANHAMENTO UNÍSSONA nesse país, lançando sempre as mesmas opiniões sobre as coisas (reparem como TODOS falam sempre a mesma coisa), não deixaria de considerar que estamos todos muito cegos ou entorpecidos para o que realmente está acontecendo.